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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Antes da viagem, outra viagem

Neste feriado do Dia do Trabalho me dei ao luxo de não escrever nada. Em compensação, tirei mais de mil fotografias. Por uma razão muito simples. Conheço muito pouco do Paraná, estado em que nasci e no qual morei a vida inteira e não podia encarar uma viagem internacional sem antes visitar o ponto turístico mais famoso do Brasil: as Cataratas do Iguaçu. 
Olha a gente aí! Primeira vista das Cataratas
Tinha ido para Foz do Iguaçu a passeio há 20 ano. Voltei em 2010 duas vezes, a trabalho e para um concurso, mas estas viagens foram bate-volta, não tive tempo de fazer turismo. E já fazia algum tempo que sugeria a meu namorado esta viagem, mas ele não estava muito empolgado.
Logo que soube que não trabalharia na segunda-feira antes do feriado - houve um revesamento de repórteres no jornal - reservei o hotel e comprei as passagens. Só que comprei passagem de avião Maringá para Curitiba, onde encontrei o namorado e seguimos para Foz de carro. Toda vez que eu conto, alguém me olha com uma cara de "não acredito que você fez isto". E com razão. Foz é muito longe de Curitiba e é uma viagem cansativa e cara: R$ 75 de pedágios (9) por trecho.
Foz é um destino super visado nos feriados, então precisamos ter muita paciência. Fila na estrada para ultrapassar o caminhão, nos pedágios, no restaurante, nos parques, nos melhores pontos para fotografar, no banheiro, para comprar, normal. 
Pelo menos este tinha um help na fila...

 Ficamos no Hotel Bella Italia, recomendação de um amigo de uma agência daqui, e fomos ao Duty Free da Argentina - bom para quem quer comprar bebidas, maquiagens, perfumes e não está disposto a encarar uma ida ao Paraguai -, ao Parque Nacional do Iguaçu, ao Parque das Aves, ao Paraguai - não podia faltar - e à Itaipu.
Parque das Aves - bem pertinho da entrada das Cataratas
Sobre as Cataratas, nem sei o que escrever. Demos muita sorte,15 dias antes as quedas estavam com pouco volume de água e no domingo estava ótimo, apesar da água barrenta por causa das chuvas. Lá é muito lindo. Não dá para acreditar que existe um lugar tão incrível e ainda mais tão perto da gente que muitos ainda não conhecem.


Os quatis, animais símbolos do parque, apareceram pouco. A orientação para não
mexer com eles não era respeitada pela maioria dos turistas

Pensamos até em fazer aquele passeio de barco - Macuco Safari -, mas estava tão frio que não dava coragem. Fora que quem me conhece um pouquinho sabe que eu morro de medo de rio. Um ano atrás eu só passava pontes na estrada com os olhos fechados e só há uns 5 meses consegui passar por uma ponte dirigindo. 
Mesmo assim, encarei a passarela que fica entre as quedas e morrendo de vontade de conhecer o lado argentino, mas como foram apenas dois dias não deu tempo.
Na passarela!
Uma dica para quem está pensando em ir para Foz: compre o ingresso dos parques pela internet, porque quem não faz isto, como eu, encara uma fila imensa. Outra coisa importante é observar os dias da iluminação de Itaipu. Estávamos lá no sábado à noite mas não sabíamos que a iluminação era só de sexta e sábado e perdemos a usina iluminada.
Sobre a Itaipu, também adoramos. Como naquela manhã tínhamos ido para o Paraguai - em quase todos hotéis tem o guichê de uma agência que faz o leva e traz de lá por R$ 40 - não deu para fazer a visita interna. Ficamos só com a panorâmica e mesmo assim foi de tirar o fôlego quando o ônibus passou na barragem, entre a represa e o leito original do rio. 



Bom, agora vocês - será que tem alguém aí? - sabem porque eu não escrevi nada neste feriado. Estava guardando as lembranças para colocá-las aqui (só um pouquinho, teria que escrever muito mais para sentir que foi o suficiente). E quanto às fotografias, são tantas que está quase impossível de selecionar.
Ainda ficou faltando conhecer muita coisa e posso voltar lá inúmeras vezes, mas pelo menos eu vou ter algumas historinhas a mais para contar aos gringos sobre o meu país

Voltando da Itaipu procuramos a Mesquita de Foz, que tem uma comunidade islâmica numerosa,
e fiz outras fotos

* Assim que cheguei, na quarta-feira, fui retirar meu novo passaporte na Polícia Federal e ontem mesmo comecei a preencher os formulários para o visto de estudante para os EUA. Como ainda estou completando, tenho que pagar as taxas e tudo, vou esperar para escrever um post completo sobre isto!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Viajando com a Pole...


Sabe aquele sonho que você tem e que nunca imaginou que se tornaria realidade? Então, o meu está para se realizar...
Morar no exterior, mesmo que seja por um tiquinho de tempo, parecia algo tão distante que não conseguia tratar a questão como uma possibilidade. Quando estava no ensino médio fiz uma vez a prova para intercâmbio do Rotary, mas não passei na primeira, com 15 anos e simplesmente abandonei a ideia.
Depois, durante a faculdade só tinha uma coisa em mente: me formar para começar a trabalhar logo. Deu certo. Antes de pegar o diploma já tinha entrado no primeiro emprego como jornalista e até pedido para sair.
Na minha fase de desemprego até cogitei ir para algum lugar – nem conseguia definir qual seria o mais adequado -, mas naquele momento sabia que uma viagem assim seria apenas uma fuga, estava extremamente confusa como qualquer recém-formado e precisava por os pés no chão. Assim que consegui o meu segundo trabalho, comecei a pensar mais sobre o assunto e economizar parte do salário, pelo menos tentar, com este objetivo.
A escolha por Nova Iorque não foi nem um pouco aleatória. Antes pensava em ir para Londres, mas o preço da  libra e o sotaque muito diferente daquele que estudo há cinco anos nos cursos de inglês me fizeram repensar. Se fosse para a Inglaterra, imaginei, ficaria pelo menos duas semanas para me acostumar às peculiaridades da língua e como não tenho uma disposição tão grande de recursos financeiros - MONEY mesmo - não podia me dar ao luxo de 'perder' estas duas semanas. Alguém pode discordar de mim neste ponto, mas a decisão é minha, ué...
Outra coisa, conheci NY em 2008. Viajei três vezes para o exterior nestes meus 24 anos (sem contar as idas ao Paraguai): duas para a Argentina, em 2004 e 2011, respectivamente para Rosário e Buenos Aires, e uma para os Estados Unidos entre 2007 e 2008. Na época meus padrinhos moravam na Flórida e fui com uma irmã e meu cunhado. Ficamos 45 dias e demos uma "esticadinha" até Nova Iorque
Minha vontade de conhecer lá não era maior do que a de visitar outros lugares, nada especial, mas assim que cheguei me encantei. Fora alguns problemas no percurso, os quatro dias foram incríveis, e saí de lá com  vontade de ficar e conhecer mais, mais, mais.
Assim que decidi que iria para lá, comprei um guia turístico da Publifolha (adoro!) e comecei a devorá-lo. Depois entrei no site http://www.maosdevaca.com/  (que antes era só NY para mãos de vaca) e veio o desespero: Não vou conseguir ver tudo! Tem tanta coisa para fazer e ver lá que já começa a me dar coceira de nervoso. Coisa de pessoa estranha. Como decidir o que fazer, como vou conseguir tirar um cochilo ou dormir até mais tarde sabendo que estou perdendo a chance de ver algo novo? hehehe...pessoa louca, eu sei!
Mas vou me esforçar para conhecer o máximo possível e aproveitar o curso de 8 semanas que farei por lá. Espero que vocês acompanhem a minha viagem e que o meu lado repórter faça com que vocês (que desejarem) aproveitem um pouquinho disto comigo! 

* nos próximos posts falo mais sobre o curso, como escolhi a escola e a agência, acomodação, passagem...etc...
Algumas coisas burocráticas ainda estou resolvendo, então não tem como esquecer. O mais tenso será o visto. Mas, realmente, isto é para depois!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Mudança de ares...literalmente


Este blog surgiu em uma época muito tensa da minha vida. Ele serviu a mim, por alguns meses, como um diário online e foi muito útil num período em que a pessoa que vos escreve foi diagnosticada com depressão. Agora, mais de dois anos após deixar o consultório médico totalmente desiludida e com uma receita de um medicamento controlado na mão – era o primeiro de outros dois que tomaria até encontrar aquele que me serviu -, larguei esta vida (claro, com orientação médica e muitas noites sem dormir), tenho tantos planos que não cabem mais em mim e acabo de pedir demissão de um emprego que nem imaginava ter em 2010 para encarar uma aventura que naquele momento não passava de um sonho.
Ok, escrevi muito e não disse nada.
Depois de um ano e dois meses como repórter de um jornal em Maringá, estou deixando a redação para passar dois meses e meio em Nova Iorque estudando inglês. A viagem foi marcada esta semana – 8 de junho de 2012 com retorno em 22 de agosto – mas ainda tenho várias coisas para resolver, como esperar meu novo passaporte (esqueci que eles tinham data de validade e fui hoje na Polícia Federal fazer outro), tirar o visto de estudante e me despedir dos colegas (fico no jornal até 18 de maio).
Como não queria fazer outro blog e quero compartilhar minha experiências com a família e amigos que ficam, resolvi retomar o Meus Clássicos com um novo foco provisório. Até porque dois meses voam e depois tenho novas aventuras pela frente. Mas isto é para depois...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Minhas fotos












Minhas fotos

Não, não abandonei meu blog...
este semestre foi corrido, mas o que me traz de volta aqui é uma paixão, nunca vou deixar...
Está muito tarde para escrever (é, mente esgotada), mas vou compartilhar com vocês minhas fotos. Estou com uma câmera profissional, ainda aprendendo, brincando, mas as fotos são minhas filhas, não consigo não amá-las...


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Londrina e Hilda Furacão

Estava escrevendo aqui que estou lendo "Perto do Coração Selvagem" da Clarice Lispector e "A Insustentável leveza do Ser" de Milan Kundera e estava esquecendo de "Hilda Furacão" de Roberto Drummond.
Indo para Jacarezinho no feriado de dia 12 de outubro, parei por uma hora no terminal rodoviário de lá. Desde as primeiras vezes em que lá estive, senti uma grande nostalgia. Acho que as rodoviárias trazem este sentimento muito forte para mim, todas as mudanças, as viagens, os retornos chorosos, o iogurte que minha irmã comprava para mim, mesmo sabendo que minha mãe falaria que ele era o culpado de meu mal estar durante a viagem...
Acho que tinha uns 12 anos quando comecei a passar por aquela rodoviária. Estávamos morando em Santo Antônio da Platina e era preciso trocar de ônibus em Londrina para chegar a Apucarana, onde acreditava que estavam minhas raízes mais fortes. Depois, quando deixamos Cornélio Procópio para residir em Maringá, percebi que as raízes podem ser fincadas em diversos lugares. Mesmo que elas não cresçam com a mesma intensidade de onde é cultivada com mais dedicação, ela sempre tem uma parte dormente, que ao menor estímulo revela o poder dentro de si.
Na época desta última mudança em família, passei por momentos não muito agradáveis, mas com 13 anos, já podia ir de ônibus sozinha para Cornélio rever meus amigos. Acho que a impressão que tive das rodoviárias foi herdada daquele tempo. Esperei horas e horas em Londrina, em Cornélio. Não via a hora do ônibus chegar, mas quando ele deixava a plataforma e se afastava,...
Depois fui para Londrina, onde fiz jornalismo. No primeiro ano de faculdade, quando vinha para Maringá quase todo fim de semana, sempre comprava passagem no ônibus das 17 horas. Saia da aula meio-dia, tinha um ônibus 14 e 15, mas morria de medo de perder no horário. Muitas vezes chegava antes deste primeiro ônibus sair...ficava naquele terminal redondo, sem fim, olhando os artesãos montar as barraquinhas para as feirinhas de sexta...Descobri o maravilhoso suco da rodoviária - um dos poucos lugares que saio da zona de conforto do meu suco de laranja para experimentar algum sabor com uva ou morango (quase sempre os dois).
A ida, Londrina-Maringá era cheia de expectativa, mas a volta...pegar a leste-oeste...passar pelo terminal urbano...entrar na rodoviária era uma tristeza só. Domingo à noite já não costuma ser uma noite boa, quando você tem aula no outro dia e deixa em outro lugar pessoas queridas,...
Mas o tempo é incrível...comecei a me acostumar com aquele lugar. Como em outros lugares da cidade, fiquei muito satisfeita ao saber que aquele lugar tinha sido a zona boêmia de Londrina desde o início da cidade e que a demolição de todas as casas e, posteriormente, a construção da rodoviária tinha sido um jeito de encobrir aquela parte "vergonhosa" da história da cidade. Achei a construção super pertinente...nostálgica como deve ser um lugar de despedidas e encontros...
Como último trabalho da faculdade, criamos uma série radiofônica homenageando a história da cidade, em 2009. Entre os entrevistados, Edson Holtz, autor do livro "Noites Ilícitas" contava
sobre sua pesquisa, exatamente sobre esta Londrina, tão esquecida. Em um trecho, lembro-me, que ele diz (não com estas palavras, mas de forma muito mais bonita e poética) que embaixo daquele concreto todo, ainda ecoavam risadas e estouros das garrafas de champanhe da época de ouro da zona boêmia da cidade.
Então, neste dia 12 de outubro, entrei na banca de revista da rodoviária para comprar o livro que tinha visto na ida a Jacarezinho, "Hilda Furacão". Lendo sua contra capa, descobri que o autor tinha inspirado o frei protagonista em seu amigo frei Betto, o que me deixou curiosíssima. Como este mês vou para Belo Horizonte, tive certeza de que aquele livro não estava ali por acaso e antes mesmo do fim daquele dia já estava pensando em Hilda Furacão, a garota do maiô dourado que chocou a capital mineira no fim da década de 50.
Quase devorei o livro e agora consigo entender porque a minissérie foi um sucesso tão grande da Globo. Para pessoas curiosas, é aquele tipo de livro angustiante...as descrições são tão perfeitas que eu custo a acreditar que a Hilda é um personagem totalmente fictício. Como uma pessoa extremamente interessada na cultura brasileira ligada à ditadura militar, passei a recomendar a todos brasileiros, como uma forma sutil de nos levar a questionar os vinte anos mais tristes de nossa história.



Abandono Total e retorno a Moby Dick

Nossa, que tristeza deixar o blog assim...tão solitário nesta rede louca que é a internet...
mas antes que cancelem minha conta (nossa, que drama) vou escrever um pouquinho aqui....
Lembram do Moby Dick? Acabei de ler!
Acho que poucas vezes li um livro com tantos detalhes. O Herman Melville descreve todos os detalhes da pesca da baleia, o que super humaniza a atividade.
Eu sei, eu também morro de dó das baleinhas (ou baleiazinhas) que de inhas não têm nada, já nascem maior que um homem adulto, mas na época era tão comum e necessário que não dá para condenar...
Por exemplo, eu não como peixe por alguns motivos, um deles é que você chega no mercado e vê ele lá, inteirinho no gelo, quase te olhando. Mas eu como carne de frango....e vai dizer que não é estranho igual olhar para um frango assado e ficar com água na boca?! Acho que desviei um pouco do assunto. Mas somos assim mesmo, cheios de contradições...morro de compaixão ao ver um boi com aquele olhar e com as orelhinhas levantadas, mas logo esqueço ao ser convidada a um churrasco...mas ao pensar em comer carne de cachorro...ai meu Deus!!! Enquanto indianos devem pensar, "como eles podem comer um bicho sagrado?"
Voltando ao Moby Dick, de qual forma eu iria saber que as cachalotes (uma espécie de baleia) têm litros e litros de óleo na cabeça para ajudar na flutuação, e que este óleo custava vidas de um monte de baleeiros e era usado até de remédio?
Não vou negar que no começo fiquei extremamente confusa...muitas palavras diferentes, o dicionário on-line ajudou no começo, mas depois que você pega o jeito fica mais fácil...
O narrador estava a bordo deste navio baleeiro, comandado por Ahab, um homem aficcionado por caçar o lendário Moby Dick (um cachalote branco cheio de lendas de seus ataques enfurecidos e, praticamente, imortal) para vingar-se por ter perdido uma perna em um ataque da baleia.
Não gosto de contar o final, mesmo sabendo que o livro é muito maior que o desfecho, outro dia conto uma história que explica esta minha agonia por spoilers!! hehhehe