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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Jabuti 2011 para um maringaense


Mais uma vez atrasada, mas não poderia deixar de postar a lista dos premiados com o Jabuti 2011. Ainda mais com o prêmio de maior destaque - o de melhor romance, pelo menos para mim o mais importante até agora - indo para o autor maringaense Oscar Nakasato, por Nihonjin. Aqui tem uma matéria escrita pelo colega e também escritor Wilame Prado (de O Diário do Norte do Paraná) quando o autor foi escolhido um dos finalistas e um link para o blog do meu pai que leu o livro. Quem sabe agora com mais este reconhecimento nacional pelo livro não agilizo na minha lista "para ler" para na minha humildade também prestigiar Nakasato.  
Confira a lista completa dos vencedores, por categoria (fonte: uol.com.br)

Categoria: Capa
1º Lugar:
 "A anatomia de John Gray" - Capista: Leonardo Iaccarino - Editora Record
2º Lugar: "Ratos" - Capista: Marcelo Martinez (Laboratório Secreto) - Editora Intrínseca
3º Lugar: "Dresden" - Capista: Elmo Rosa - Editora Record
Categoria: Ilustração
1º Lugar: 
"Bananas podres" - Ilustrador: Ferreira Gullar - Editora Casa da Palavra
2º Lugar: "Água Sim" - Ilustrador: Andrés Sandoval - Companhia das Letrinhas
3º Lugar: "O ovo ou a galinha?" - Ilustrador: Gustavo Rosa - Editora Rideel
Categoria: Ilustração de Livro Infantil e Juvenil
1º Lugar: "Mil e uma estrelas" - Ilustrador: Marilda Castanha - Editora SM
2º Lugar: "A visita" - Ilustrador: Lúcia Hiratsuka - Editora DCL
3º Lugar: "Carmela vai à escola" - Ilustrador: Elisabeth Teixeira - Editora Record
Categoria: Arquitetura e Urbanismo
1º Lugar: "A arquitetura de Croce, Aflalo e Gasperini", de Fernando Serapião - Editora Paralexe
2º Lugar: "Warchavchik fraturas da vanguarda", de José Lira - Cosac & Naify
3º Lugar: "Galo cantou: a conquista da propriedade pelos moradores do Cantagalo", de Paulo Rabello de Castro - Editora Record
Categoria: Artes
1º Lugar: "Samico", de Weydson Barros Leal - Editora Bem-te-vi
2º Lugar: "Brecheret e a Escola de Paris", de Daisy Peccinini - FM Editorial
3º Lugar: "F.O. Fayga Ostrower Ilustradora", de Eucanaã Ferraz - Instituto Moreira Salles
Categoria: Biografia
1º Lugar: "Fernando Pessoa: uma quase autobiografia", de José Paulo Cavalcanti Filho - Editora Record
2º Lugar: "Cláudio Manoel da Costa", de Laura de Mello e Souza - Companhia das Letras
3º Lugar: "Antonio Vieira", de Ronaldo Vainfas - Companhia das Letras
Categoria: Ciências Exatas
1º Lugar: "Eletrodinâmica de Ampere", de André Koch Torres Assis e João Paulo Martins De Castro Chaib - Editora UNICAMP
2º Lugar: "Química medicinal: métodos e fundamentos em planejamento de fármacos", de Carlos A. Montanare (Org.) - Edusp
3º Lugar: "Substâncias orgânicas: estrutura e propriedades", de Nídia Franca Roque - Edusp
Categoria: Ciências Humanas
1º Lugar: "A política da escravidão no Império do Brasil: 1826 – 1865", de Tâmis Parron - Editora Civilização Brasileira
2º Lugar: "Ritmo espontâneo: organicismo em raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Hollanda", de João Kennedy Eugênio - Editora da Universidade Federal do Piauí
3º Lugar: "Oniska: poética do xamanismo", de Pedro de Niemeyer Cesarino - Editora Perspectiva
Categoria: Ciências Naturais
1º Lugar:
 "Fundamentos da Paleoparasitologia", de Luiz Fernando Ferreira Karl Jan Reinhard e Adauto Araújo (Orgs.) - Editora Fiocruz
2º Lugar: "Energia Eólica – Série Sustentabilidade", de Eliane A. Faria Amaral Fadigas - Editora Manole
3º Lugar: "Gestão de Saneamento Básico – Abastecimento de água e esgotamento sanitário – Coleção Ambiental", de Arlindo Philippi Jr. e Alceu de Castro Galvão - Editora Manole
Categoria: Ciências da Saúde
1º Lugar:
 "Clínica psiquiátrica – a visão do Depto. e do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP", de  Eurípedes Constantino Miguel, Valentin Gentil e Wagner Farid Gattaz - Editora Manole
2º Lugar: "Coluna vertebral – série Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem", de João Luiz Fernandes e Francisco Maciel Júnior - Editora Elsevier
3º Lugar: "Tratado de gastroenterologia, de Federação Brasileira de Gastroenterologia" – Editores: Schlioma Zaterka e Jaime Natam Eisig - Editora Atheneu
Categoria: Comunicação
1º Lugar:
 "O Império dos livros: instituições e práticas de leitura na São Paulo oitocentista", de Marisa Nidori Deaecto - Edusp
2º Lugar: "Repressão e resistência: censura a livros na Ditadura Militar", de Sandra Reimão - Edusp
3º Lugar: "Linha do tempo do design gráfico no Brasil", de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra - Cosac & Naify
Categoria: Contos e Crônicas
1º Lugar:
 "O Destino das metáforas", de Sidney Rocha - Editora Iluminuras
2º Lugar: "O anão e a ninfeta", de  Dalton Trevisan - Editora Record
3º Lugar: "O livro de Praga", de Sérgio Sant’Anna - Companhia das Letras
Categoria: Didático e Paradidático
1º Lugar:
 "Mundo Leitor – linhas da vida: caderno do orientador, de Áureo Gomes Monteiro Júnior, Celia Cunico, Marcia Porto e Rogério Coelho - Ahom Educação
2º Lugar: "Bullying e cyberbullying – o que fazemos com o que fazem conosco?, de Maria Tereza Maldonado - Editora Moderna
3º Lugar: "Atlas Histórico – Geral & Brasil, de Claudio Vicentino - Editora Ática
Categoria: Direito
1º Lugar:
 "Direitos da criança e do adolescente em face da TV", de Antonio Jorge Pereira Júnior - Editora Saraiva
2º Lugar: "O Estado e o direito depois da crise – Série Direito em Debate – DDJ", de José Eduardo Faria - Editora Saraiva
3º Lugar: "Direito Internacional Penal – Imunidades e Anistias", de Cláudia Perrone-Moisés - Editora Manole
Categoria: Economia, Administração e Negócios
1º Lugar:
 "Aprendizagem organizacional no Brasil", de Claudia Simone Antonello e Arilda Schmidt Godoy, Editora Artmed
2º Lugar: "A gestão da Amazônia: ações empresariais", políticas públicas, estudos e propostas, de Jacques Marcovitch - Edusp
3º Lugar: "Empresas proativas: como antecipar mudanças no mercado", de Leonardo Araújo e Rogério Gava - Editora Elsevier
Categoria: Educação
1º Lugar:
 "Alfabetização no Brasil: uma história de sua história", de Maria do Rosário Lombo Mortatti (org.) - Editora Cultura Acadêmica – Oficina Universitária
2º Lugar: "Avaliação da aprendizagem – componente do ato pedagógico", de Cipriano Carlos Luckesi - Cortez Editora
3º Lugar: "Educação infantil: Enfoques em diálogo", de Eloisa A. C. Rocha e Sonia Kramer (orgs.) - Editora Papirus
Categoria: Fotografia
1º Lugar:
 "Os Chicos - Fotografia", de Leo Drumond - Nitro Editorial
2º Lugar: "A Riqueza de Um Vale", de Ricardo Martins - Editora Kongo / FM Editorial
3º Lugar: "Amazônia", de Araquém Alcântara e Alex Atala - Editora Terra Brasil
Categoria: Gastronomia
1º Lugar:
 "Ambiências: histórias e receitas do Brasil", de Mara Salles - Editora DBA
2º Lugar: "Histórias, lendas e curiosidades da gastronomia", de Roberta Malta Saldanha - Editora Senac Rio
3º Lugar: "Dicionário do vinho", de Maurício Tagliari e Rogério de Campos - Companhia Editorial Nacional
Categoria: Infantil
1º Lugar:
 "Benjamin: Poemas com desenhos e músicas", de Biágio D’Ángelo - Editora Melhoramentos
2º Lugar: "O herói imóvel", de Rosa Amanda Strausz - Editora Rovelle
3º Lugar: "Votupira o vento doido da esquina", de Fabrício Carpinejar - Editora SM
Categoria: Juvenil
1º Lugar:
 "A mocinha do Mercado Central", de Stella Maris Rezende - Editora Globo
2º Lugar: "A guardiã dos segredos de família", de Stella Maris Rezende - Editora SM
3º Lugar: "As memórias de Eugênia", de Marcos Bagno - Editora Positivo
Categoria: Poesia
1º Lugar:
 "Alumbramentos", de Maria Lúcia Dal Farra - Editora Iluminuras
2º Lugar: "Vesuvio", de Zulmira Ribeiro Tavares - Companhia das Letras
3º Lugar: "Roça Barroca", de Josely Vianna Baptista - Cosac & Naify
Categoria: Psicologia e Psicanálise
1º Lugar:
 "Estrutura e constituição da psicanálise: uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento", de Christian Ingo Lenz Dunker - Annablume Editora
2º Lugar: "O novo inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental", de Marcos Montarroyos Callegaro - Editora Artmed
3º Lugar: "Psicologia social: principais temas vertentes", de Cláudio Vaz Torres e Elaine Rabelo Neiva - Editora Artmed
Categoria: Reportagem
1º Lugar:
 "Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda", de Miriam Leitão - Editora Record
2º Lugar: "O cofre do Dr. Rui", de Tom Cardoso - Editora Civilização Brasileira
3º Lugar: "O espetáculo mais triste da Terra", de Mauro Ventura - Companhia das Letras
Categoria: Romance
1º Lugar:
 "Nihonjin", de Oscar Nakasato - Editora Saraiva
2º Lugar: "Naqueles morros, depois da chuva", de Edival Lourenço - Editora Hedra
3º Lugar: "O estranho no corredor", de Chico Lopes - Editora 34
Categoria: Tecnologia e Informática
1º Lugar:
 "Inteligência Artificial: Uma abordagem de aprendizado de máquina", de Kati Faceli, Ana Carolina, João Gama, Andre Carlos Ponce - Grupo Gen
2º Lugar: "Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia, Inovação e Legislação", de Alex Augusto Gonçalves - Editora Athene
3º Lugar: "Sistemas colaborativos", de Mariano Pimentel e Hugo Fuks (Orgs.) - Editora Elsevier
Categoria: Teoria / Crítica Literária
1º Lugar:
 "A Espanha de João Cabral e Murilo Mendes", de Ricardo Souza de Carvalho - Editora 34
2º Lugar: "Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936)", de Bruno Barretto Gomide - Edusp
3º Lugar: "Crítica Textualis in Caelum Revocata? Uma proposta de edição e estudo da tradição de Gregório de Matos e Guerra", de Marello Moreira - Edusp
Categoria: Turismo e Hotelaria
1º Lugar:
 "História do Turismo no Brasil entre os séculos XVI e XX", de Paulo de Assunção - Editora Manole
2º Lugar: "Destinos de sonho – 101 viagens inesquecíveis", de Elaine Ianicelli, Gabriela Aguerre, Rosana Zakabi, Adriana Setti, Cristina Capuano e Maila Blöss - Editora Abril
3º Lugar: "Lisboa em Pessoa – guia turístico e literário da capital portuguesa", de João Correia Filho - Editora Leya
Categoria: Projeto Gráfico
1º Lugar:
 "Linha do tempo do design gráfico no Brasil", de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra - Cosac & Naify
2º Lugar: "40 microcontos experimentais", de Airton Cattani - Editora Marca Visual
3º Lugar: "Aventuras de Alice no subterrâneo", de Adriana Peliano - Editora Scipione
Categoria: Tradução
1º Lugar: 
"Odisseia" - Tradutor: Trajano Vieira - Editora 34
2º Lugar: "Guerra e Paz" - Tradutor: Rubens Figueiredo - Cosac & Naify
3º Lugar: "Madame Bovary" - Tradutor: Mario Laranjeira - Companhia das Letras

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Em Curitiba conhecendo Paulo Leminski

Domingo de manhã na Praça Santos Andrade
- Vai ter um encontro interessante esta semana com as filhas do Paulo Leminski bem no dia em que ele completaria 68 anos...
- Você vai?
- Não sei, na verdade não conheço a obra dele, acho meio chato ir sem conhecer nada...
- E qual o problema? Às vezes conhecemos as coisas ao contrário mesmo...

E depois desta conversa com a minha irmã fui em meu primeiro programa cultural após a minha mudança para Curitiba. Desta vez sem (muitos) atropelos, de mala e cuia, desembarquei na capital. Alugamos um apartamento aqui no Centro e durante uma visita ao shopping para ir a Etna ver coisas para a casa dei um pulinho na Fnac e peguei a programação da livraria. Na sexta-feira, 24 de agosto, quando o poeta paranense completaria 68 anos, eles promoveram este bate-papo com Áurea, jornalista, e Estrela, cantora e poetisa, filhas de Paulo Leminski. O namorado também curtiu a ideia e aproveitou para ir a um happy hour...
Não posso falar que eu aproveitei tanto a conversa quanto aqueles conhecedores e estudiosos da obra de Paulo Leminski que podiam estar no público (umas 30 pessoas, achei excelente para uma sexta-feira à noite), mas serviu para ficar com aquela coceirinha de vontade de ler o máximo que puder e aproveitar as novidades que a família está programando para o próximo ano. Além da publicação prevista da obra completa em poesia pela Companhia das Letras até o fim do ano, um website pauloleminski.com.br trará parte da obra literária dele além de entrevistas, fotografias e outros, uma grande exposição no Museu Oscar Niemeyer, regravação de suas músicas,...
Como não havia lido nada de Leminski, fui mais interessada em curiosidades. Sou daquelas que se recusam a acreditar que certas pessoas, principalmente destas com o nome em livros e com estudos sobre a sua obra, tiveram uma vida "normal". Pelo pouco que as filhas falaram "do Paulo" - como elas se referiam ao pai - deu para ver que  ele sempre teve algo de gênio mas esteve aqui, circulou pelas ruas da capital e deixou não apenas admiradores de seu trabalho como amigos. Será que sou eu ou outras pessoas também tem esta tendência a considerar mitos ainda mais mitos?
Segundo as filhas de Leminski, ele estudou no Mosteiro de São Bento em São Paulo, trabalhou como redator publicitário em Curitiba para sustentar a família - a segunda esposa é a também poetisa Alice Ruiz -, pedia para as crianças não atrapalharem porque estava"no meio de uma ideia", passou dias respondendo ao questionamento de Áurea a respeito da Revolução Russa o que o levou a outra ideia, ensinava Estrela a atirar facas na parede de madeira da casa em que moravam.
O que me deixou mais intrigada foram os Perhappiness. Eventos culturais que marcaram uma geração de curitibanos. Como todos os paranaenses sabem, nós do interior (e acho que no Norte onde nasci e cresci isto é mais acentuado) não temos uma ligação com a capital. A primeira vez que vim para Curitiba para passear foi em 1994. E com os seis anos que tinha na época já havia visitado muito mais de São Paulo capital. Para mim ouvir falar dos Perhappiness (palavra que vem do neologismo criado por Leminski que é a união das palavras perhaps e happiness formando uma "talvez felicidade") foi novidade total e fiquei empolgada com as filhas do poeta falarem que querem retomar estes eventos dedicados à cultura. Eles devem começar durante a exposição no MON que deve seguir os moldes da Ocupação Itaú promovida em 2009 em SP também homenageando Leminski.
Mais uma novidade que me empolga mas nem a família do poeta sabia confirmar - apesar de haver noticias como estas aqui e aqui e constar até na Wikipédia - é a criação do Museu da Poesia que seria batizado com o nome do escritor, assim como a pedreira desde 1989. Bom, o prédio dos Correios que dá de frente para o prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na Praça Santos Andrade  está em reforma. Vou torcer para que este sonho da família Leminski e de muitos curitibanos e paranaenses se realize. A quatro ou cinco quadras de casa, ia adorar mais ainda!

* Para os curiosos como eu, além dos videos abaixo aqui tem um blog em que são publicadas poesias de Paulo Leminski.
** Para os apaixonados por literatura em geral, dia 10 de setembro começa a Semana Literaria 2012 do Sesc. Este ano o homenageado no Paraná é o escritor Dalton Trevisan. A programação de Curitiba esta nesta página e no menu superior dá para mudar a cidade para descobrir o que tem na sua cidade.


domingo, 17 de junho de 2012

Mais uma estrangeira do Trem N

Metro de cada dia...
"That's the last stop..."
Incrivel como livros brotam…enquanto voce esta lendo um (ou tres, quarto ao mesmo tempo, como e o meu caso), voce tem vontade de ler mais algumas duzias… Depois da minha aquisicao de literatura norte americana (ou estadunidense) no Village, recebi uma mensagem da minha irma sobre o livro de Sergio Vilas-Boas, que morou aqui em NY em 1994, no mesmo bairro em que eu estou. Esta esgotado, mas vou procurar no Estante Virtual.
Alem do assunto me interessar imensamente – Os Estrangeiros do Trem N – reconheci o nome do autor. Fiz quase todo meu TCC utilizando os estudos dele sobre perfis e biografias. Podia dizer que o mundo e pequeno, mas na verdade estou mais para a teoria de que nossos gostos sempre vao nos levar para pessoas que tem um pouquinho da gente…nao tem como escapar…
O que ela me mandou esta aqui e o site do jornalista e professor aqui.

*Assim que desci na estação para voltar para casa no inicio da noite deste domingo aconteceu algo muito estranho. Ouvi dois brasileiros conversando e pela primeira vez nao identifiquei nossa língua logo de cara. Acho que a enxaqueca da novidade esta comecando a passar. Bom, meu segundo fim de semana aqui (nem acredito), ja acabou. Aproveitei muito num roteiro bem turistico: passeio na quinta avenida, barco em volta da ilha de Manhattan, topo do Empire State Building ao anoitecer, musica gospel no Harlem, outlet em downtown e descanso no Battery Park (na margem com frente para a Estatua da Liberdade).  Por isto, vou deixar pra escrever mais sobre os roteiros depois…

Depois de um dia todo na rua, passando um frio no 86th floor

Domingo - Battery Park
Domingo - uma familia brincando no Battery Park
Domingo - Battery Park
Domingo - Battery Park
Sabado - Observatorio do Empire State Building
Sabado - East River
Sexta-feira - Rockfeller Center
Sexta-feira - Rockfeller Center
Sexta-feira - St Patrick's Church
**Desta semana nao passa. Vou arrumar o teclado. Alem dos acentos, o Word esta fazendo uma correcao automatica a fazendo um portugles com meu texto!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Masp, Modigliani, Pedro Nava e UEL

Como já disse anteriormente, passei a última semana em São Paulo e o primeiro lugar da minha lista de "locais que eu quero conhecer" estava bem ocupado pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp. Quando criança, fomos a família toda passar um dia (manhã ou tarde, não me lembro) neste museu na Avenida Paulista. Daquela época me lembro de pouquíssima coisa além do quadro Rosa e Azul de Renoir.
Rosa e Azul, Renoir (fonte: Google)
O prédio em si é uma obra de arte. Sair da estação Trianon - Masp e dar de cara com aquelas colunas vermelhas, que bom!  A visita me fez lembrar algumas passagens do livro Chatô, o Rei do Brasil de Fernando Morais (adoro as biografias deste escritor). De como o dono dos Diários Associados e homem que trouxe a televisão para o Brasil, com seus métodos pouco escrupulosos, angariou recursos para montar parte do acervo de quadros de Van Gogh, Monet, entre outros, merece atenção e pode ser utilizada como exemplo de quem defende que os fins justificam os meios.

São três andares, um deles subsolo, onde estava acontecendo a exposição Modigliani - Imagens de uma Vida. A primeira vez que ouvi falar no pintor (e escultor por um tempo, como descobri no Masp) foi por meio de uma entrevistada. Estava no terceiro ano de faculdade na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e comecei a estagiar no Portal do Servidor Aposentado da UEL. Na época, o projeto não estava no ar e só havia a ideia de contar histórias dos professores e demais funcionários que passaram pelo campus.
A professora Edina Panichi foi uma das primeiras que entrevistei e nem tinha como ficar chateada por não saber do que uma doutora falava. Toda a sua vida acadêmica girou em torno do autor Pedro Nava. Com ele participou de alguns "sabadoyles" (reunião de escritores na casa de Plínio Doyle no Rio de Janeiro) e, em 2004, o livro de seus estudos foi indicado para o Prêmio Jabuti. Num momento, para exemplificar as descrições que ele fazia de suas personagens, ela citou um tal de "pescoço Modigliani". Como devo ter feito uma cara de dúvida, ela esclareceu que era um pintor que costumava retratar pessoas de pescoço alongado, assim como o rosto.

Quadro de divulgação da exposição (fonte: Masp)

A exposição traz obras de várias fases de Modigliani, bem como de outros artistas que o influenciaram. Alguns quadros e esboços não tem estas características "clássicas", mas quando os rostos começam a ficar mais esticados, assim como o pescoço, passei a prestar mais atenção. Outro detalhe bem observado pela minha amiga que me acompanhou no Masp eram os olhos. A maioria apenas um contorno com uma cor apenas dentro deles. Estranho e intrigante.
Das histórias que li, me recordo de uma sobre a sua mulher. Após Modigliani morrer em 1920, com 35 anos, com tuberculose, Jeanne Hébuterne se matou mesmo estando grávida de oito meses. A outra filha do casal foi criada por parentes.
Jeanne Hébuterne (fonte: Google)

A exposição continua até 15 de julho e depois vai para o MON, em Curitiba. Atualmente, no Masp também é possível ver as exposições permanentes "Romantismo: a arte do entusiasmo" e "Deuses e madonas: a arte do sagrado" e a Coleção Pirelli/Masp de fotografia. A entrada inteira no Masp custa R$ 15, sendo que nas terças é de graça e não é permitido fotografar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A despedida: dia 21

Foto de Leo Castro
Na quarta-feira, quando um amigo e vizinho da ilha de trabalho mandou para mim uma crônica sobre a saída de outro colega do jornal, previ que minha despedida hoje não seria como eu desejava.
Depois de um ano e três meses naquela redação, onde aprendi muito e vivi as mais diversas experiências e os sentimentos mais extremos em relação ao trabalho, a ideia era sair como "ele", simplesmente bater o ponto como todos os dias, entrar no carro e, se o coração apertasse, lá deixar escorrer uma lágrima ou outra pensando nas pessoas que conheci e na vida de repórter que não sei se volto a ter...
Mas eu não sou uma pessoa contida. Sempre fui de falar alto, rir mais ainda e, apesar de não ter nem um pouco orgulho disso, não consigo controlar muito bem meus sentimentos.
Ainda tenho três semanas em Maringá e sempre voltarei para cá, mas talvez não reveja muitos colegas. Não vou me juntar ao pessoal no restaurante ou fazer comentários maldosos sobre a comida. Não vou mais abrir o jornal assim que chego, o que sempre resultava em satisfação ou frustração. Porque como todo jornalista também sou vaidosa e gosto de encontrar meu nome ali entre o título e a matéria.
Por isso e outras tantas coisas mais, foi muito difícil me despedir. Quando a turma da manhã começou a ir e passar pela minha mesa dar um abraço, aguentei firme. Depois, deu a minha hora de ir. Com a redação cheia novamente, mandei um correio interno para os colegas e não consegui mais esconder. Apesar de não ter um espelho sei muito bem quais foram minhas expressões e como a vermelhidão foi se espalhando pelo meu rosto. Olhos vermelhos, lágrimas, e vermelho ganhando espaço: nariz, bochechas, contorno da boca. Mais lágrimas.
"Reunião" fora da redação em dezembro de 2011: João, Vinícius e eu - Foto de Leo Castro
Não foi nem um pouco bonito e tenho só umas trinta testemunhas do meu choro com um soluço que eu tentava controlar ao chacoalhar as mãos (só por Deus porque faço isto). Assim como me despedi pela mensagem a eles, fico por aqui... Com a recomendação de leitura da crônica Porta Aberta de Wilame Prado.
Testes na redação em abril - Fotos de João Paulo Santos
E amanhã é dia de começar uma nova jornada. No meu futuro vejo uma ida para Curitiba com uma esticadinha até Nova Iorque, mas tudo é tão incerto ainda que nem me assusta mais. Afinal, ele não é incerto para todo mundo?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Londrina e Hilda Furacão

Estava escrevendo aqui que estou lendo "Perto do Coração Selvagem" da Clarice Lispector e "A Insustentável leveza do Ser" de Milan Kundera e estava esquecendo de "Hilda Furacão" de Roberto Drummond.
Indo para Jacarezinho no feriado de dia 12 de outubro, parei por uma hora no terminal rodoviário de lá. Desde as primeiras vezes em que lá estive, senti uma grande nostalgia. Acho que as rodoviárias trazem este sentimento muito forte para mim, todas as mudanças, as viagens, os retornos chorosos, o iogurte que minha irmã comprava para mim, mesmo sabendo que minha mãe falaria que ele era o culpado de meu mal estar durante a viagem...
Acho que tinha uns 12 anos quando comecei a passar por aquela rodoviária. Estávamos morando em Santo Antônio da Platina e era preciso trocar de ônibus em Londrina para chegar a Apucarana, onde acreditava que estavam minhas raízes mais fortes. Depois, quando deixamos Cornélio Procópio para residir em Maringá, percebi que as raízes podem ser fincadas em diversos lugares. Mesmo que elas não cresçam com a mesma intensidade de onde é cultivada com mais dedicação, ela sempre tem uma parte dormente, que ao menor estímulo revela o poder dentro de si.
Na época desta última mudança em família, passei por momentos não muito agradáveis, mas com 13 anos, já podia ir de ônibus sozinha para Cornélio rever meus amigos. Acho que a impressão que tive das rodoviárias foi herdada daquele tempo. Esperei horas e horas em Londrina, em Cornélio. Não via a hora do ônibus chegar, mas quando ele deixava a plataforma e se afastava,...
Depois fui para Londrina, onde fiz jornalismo. No primeiro ano de faculdade, quando vinha para Maringá quase todo fim de semana, sempre comprava passagem no ônibus das 17 horas. Saia da aula meio-dia, tinha um ônibus 14 e 15, mas morria de medo de perder no horário. Muitas vezes chegava antes deste primeiro ônibus sair...ficava naquele terminal redondo, sem fim, olhando os artesãos montar as barraquinhas para as feirinhas de sexta...Descobri o maravilhoso suco da rodoviária - um dos poucos lugares que saio da zona de conforto do meu suco de laranja para experimentar algum sabor com uva ou morango (quase sempre os dois).
A ida, Londrina-Maringá era cheia de expectativa, mas a volta...pegar a leste-oeste...passar pelo terminal urbano...entrar na rodoviária era uma tristeza só. Domingo à noite já não costuma ser uma noite boa, quando você tem aula no outro dia e deixa em outro lugar pessoas queridas,...
Mas o tempo é incrível...comecei a me acostumar com aquele lugar. Como em outros lugares da cidade, fiquei muito satisfeita ao saber que aquele lugar tinha sido a zona boêmia de Londrina desde o início da cidade e que a demolição de todas as casas e, posteriormente, a construção da rodoviária tinha sido um jeito de encobrir aquela parte "vergonhosa" da história da cidade. Achei a construção super pertinente...nostálgica como deve ser um lugar de despedidas e encontros...
Como último trabalho da faculdade, criamos uma série radiofônica homenageando a história da cidade, em 2009. Entre os entrevistados, Edson Holtz, autor do livro "Noites Ilícitas" contava
sobre sua pesquisa, exatamente sobre esta Londrina, tão esquecida. Em um trecho, lembro-me, que ele diz (não com estas palavras, mas de forma muito mais bonita e poética) que embaixo daquele concreto todo, ainda ecoavam risadas e estouros das garrafas de champanhe da época de ouro da zona boêmia da cidade.
Então, neste dia 12 de outubro, entrei na banca de revista da rodoviária para comprar o livro que tinha visto na ida a Jacarezinho, "Hilda Furacão". Lendo sua contra capa, descobri que o autor tinha inspirado o frei protagonista em seu amigo frei Betto, o que me deixou curiosíssima. Como este mês vou para Belo Horizonte, tive certeza de que aquele livro não estava ali por acaso e antes mesmo do fim daquele dia já estava pensando em Hilda Furacão, a garota do maiô dourado que chocou a capital mineira no fim da década de 50.
Quase devorei o livro e agora consigo entender porque a minissérie foi um sucesso tão grande da Globo. Para pessoas curiosas, é aquele tipo de livro angustiante...as descrições são tão perfeitas que eu custo a acreditar que a Hilda é um personagem totalmente fictício. Como uma pessoa extremamente interessada na cultura brasileira ligada à ditadura militar, passei a recomendar a todos brasileiros, como uma forma sutil de nos levar a questionar os vinte anos mais tristes de nossa história.