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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Jabuti 2011 para um maringaense


Mais uma vez atrasada, mas não poderia deixar de postar a lista dos premiados com o Jabuti 2011. Ainda mais com o prêmio de maior destaque - o de melhor romance, pelo menos para mim o mais importante até agora - indo para o autor maringaense Oscar Nakasato, por Nihonjin. Aqui tem uma matéria escrita pelo colega e também escritor Wilame Prado (de O Diário do Norte do Paraná) quando o autor foi escolhido um dos finalistas e um link para o blog do meu pai que leu o livro. Quem sabe agora com mais este reconhecimento nacional pelo livro não agilizo na minha lista "para ler" para na minha humildade também prestigiar Nakasato.  
Confira a lista completa dos vencedores, por categoria (fonte: uol.com.br)

Categoria: Capa
1º Lugar:
 "A anatomia de John Gray" - Capista: Leonardo Iaccarino - Editora Record
2º Lugar: "Ratos" - Capista: Marcelo Martinez (Laboratório Secreto) - Editora Intrínseca
3º Lugar: "Dresden" - Capista: Elmo Rosa - Editora Record
Categoria: Ilustração
1º Lugar: 
"Bananas podres" - Ilustrador: Ferreira Gullar - Editora Casa da Palavra
2º Lugar: "Água Sim" - Ilustrador: Andrés Sandoval - Companhia das Letrinhas
3º Lugar: "O ovo ou a galinha?" - Ilustrador: Gustavo Rosa - Editora Rideel
Categoria: Ilustração de Livro Infantil e Juvenil
1º Lugar: "Mil e uma estrelas" - Ilustrador: Marilda Castanha - Editora SM
2º Lugar: "A visita" - Ilustrador: Lúcia Hiratsuka - Editora DCL
3º Lugar: "Carmela vai à escola" - Ilustrador: Elisabeth Teixeira - Editora Record
Categoria: Arquitetura e Urbanismo
1º Lugar: "A arquitetura de Croce, Aflalo e Gasperini", de Fernando Serapião - Editora Paralexe
2º Lugar: "Warchavchik fraturas da vanguarda", de José Lira - Cosac & Naify
3º Lugar: "Galo cantou: a conquista da propriedade pelos moradores do Cantagalo", de Paulo Rabello de Castro - Editora Record
Categoria: Artes
1º Lugar: "Samico", de Weydson Barros Leal - Editora Bem-te-vi
2º Lugar: "Brecheret e a Escola de Paris", de Daisy Peccinini - FM Editorial
3º Lugar: "F.O. Fayga Ostrower Ilustradora", de Eucanaã Ferraz - Instituto Moreira Salles
Categoria: Biografia
1º Lugar: "Fernando Pessoa: uma quase autobiografia", de José Paulo Cavalcanti Filho - Editora Record
2º Lugar: "Cláudio Manoel da Costa", de Laura de Mello e Souza - Companhia das Letras
3º Lugar: "Antonio Vieira", de Ronaldo Vainfas - Companhia das Letras
Categoria: Ciências Exatas
1º Lugar: "Eletrodinâmica de Ampere", de André Koch Torres Assis e João Paulo Martins De Castro Chaib - Editora UNICAMP
2º Lugar: "Química medicinal: métodos e fundamentos em planejamento de fármacos", de Carlos A. Montanare (Org.) - Edusp
3º Lugar: "Substâncias orgânicas: estrutura e propriedades", de Nídia Franca Roque - Edusp
Categoria: Ciências Humanas
1º Lugar: "A política da escravidão no Império do Brasil: 1826 – 1865", de Tâmis Parron - Editora Civilização Brasileira
2º Lugar: "Ritmo espontâneo: organicismo em raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Hollanda", de João Kennedy Eugênio - Editora da Universidade Federal do Piauí
3º Lugar: "Oniska: poética do xamanismo", de Pedro de Niemeyer Cesarino - Editora Perspectiva
Categoria: Ciências Naturais
1º Lugar:
 "Fundamentos da Paleoparasitologia", de Luiz Fernando Ferreira Karl Jan Reinhard e Adauto Araújo (Orgs.) - Editora Fiocruz
2º Lugar: "Energia Eólica – Série Sustentabilidade", de Eliane A. Faria Amaral Fadigas - Editora Manole
3º Lugar: "Gestão de Saneamento Básico – Abastecimento de água e esgotamento sanitário – Coleção Ambiental", de Arlindo Philippi Jr. e Alceu de Castro Galvão - Editora Manole
Categoria: Ciências da Saúde
1º Lugar:
 "Clínica psiquiátrica – a visão do Depto. e do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP", de  Eurípedes Constantino Miguel, Valentin Gentil e Wagner Farid Gattaz - Editora Manole
2º Lugar: "Coluna vertebral – série Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem", de João Luiz Fernandes e Francisco Maciel Júnior - Editora Elsevier
3º Lugar: "Tratado de gastroenterologia, de Federação Brasileira de Gastroenterologia" – Editores: Schlioma Zaterka e Jaime Natam Eisig - Editora Atheneu
Categoria: Comunicação
1º Lugar:
 "O Império dos livros: instituições e práticas de leitura na São Paulo oitocentista", de Marisa Nidori Deaecto - Edusp
2º Lugar: "Repressão e resistência: censura a livros na Ditadura Militar", de Sandra Reimão - Edusp
3º Lugar: "Linha do tempo do design gráfico no Brasil", de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra - Cosac & Naify
Categoria: Contos e Crônicas
1º Lugar:
 "O Destino das metáforas", de Sidney Rocha - Editora Iluminuras
2º Lugar: "O anão e a ninfeta", de  Dalton Trevisan - Editora Record
3º Lugar: "O livro de Praga", de Sérgio Sant’Anna - Companhia das Letras
Categoria: Didático e Paradidático
1º Lugar:
 "Mundo Leitor – linhas da vida: caderno do orientador, de Áureo Gomes Monteiro Júnior, Celia Cunico, Marcia Porto e Rogério Coelho - Ahom Educação
2º Lugar: "Bullying e cyberbullying – o que fazemos com o que fazem conosco?, de Maria Tereza Maldonado - Editora Moderna
3º Lugar: "Atlas Histórico – Geral & Brasil, de Claudio Vicentino - Editora Ática
Categoria: Direito
1º Lugar:
 "Direitos da criança e do adolescente em face da TV", de Antonio Jorge Pereira Júnior - Editora Saraiva
2º Lugar: "O Estado e o direito depois da crise – Série Direito em Debate – DDJ", de José Eduardo Faria - Editora Saraiva
3º Lugar: "Direito Internacional Penal – Imunidades e Anistias", de Cláudia Perrone-Moisés - Editora Manole
Categoria: Economia, Administração e Negócios
1º Lugar:
 "Aprendizagem organizacional no Brasil", de Claudia Simone Antonello e Arilda Schmidt Godoy, Editora Artmed
2º Lugar: "A gestão da Amazônia: ações empresariais", políticas públicas, estudos e propostas, de Jacques Marcovitch - Edusp
3º Lugar: "Empresas proativas: como antecipar mudanças no mercado", de Leonardo Araújo e Rogério Gava - Editora Elsevier
Categoria: Educação
1º Lugar:
 "Alfabetização no Brasil: uma história de sua história", de Maria do Rosário Lombo Mortatti (org.) - Editora Cultura Acadêmica – Oficina Universitária
2º Lugar: "Avaliação da aprendizagem – componente do ato pedagógico", de Cipriano Carlos Luckesi - Cortez Editora
3º Lugar: "Educação infantil: Enfoques em diálogo", de Eloisa A. C. Rocha e Sonia Kramer (orgs.) - Editora Papirus
Categoria: Fotografia
1º Lugar:
 "Os Chicos - Fotografia", de Leo Drumond - Nitro Editorial
2º Lugar: "A Riqueza de Um Vale", de Ricardo Martins - Editora Kongo / FM Editorial
3º Lugar: "Amazônia", de Araquém Alcântara e Alex Atala - Editora Terra Brasil
Categoria: Gastronomia
1º Lugar:
 "Ambiências: histórias e receitas do Brasil", de Mara Salles - Editora DBA
2º Lugar: "Histórias, lendas e curiosidades da gastronomia", de Roberta Malta Saldanha - Editora Senac Rio
3º Lugar: "Dicionário do vinho", de Maurício Tagliari e Rogério de Campos - Companhia Editorial Nacional
Categoria: Infantil
1º Lugar:
 "Benjamin: Poemas com desenhos e músicas", de Biágio D’Ángelo - Editora Melhoramentos
2º Lugar: "O herói imóvel", de Rosa Amanda Strausz - Editora Rovelle
3º Lugar: "Votupira o vento doido da esquina", de Fabrício Carpinejar - Editora SM
Categoria: Juvenil
1º Lugar:
 "A mocinha do Mercado Central", de Stella Maris Rezende - Editora Globo
2º Lugar: "A guardiã dos segredos de família", de Stella Maris Rezende - Editora SM
3º Lugar: "As memórias de Eugênia", de Marcos Bagno - Editora Positivo
Categoria: Poesia
1º Lugar:
 "Alumbramentos", de Maria Lúcia Dal Farra - Editora Iluminuras
2º Lugar: "Vesuvio", de Zulmira Ribeiro Tavares - Companhia das Letras
3º Lugar: "Roça Barroca", de Josely Vianna Baptista - Cosac & Naify
Categoria: Psicologia e Psicanálise
1º Lugar:
 "Estrutura e constituição da psicanálise: uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento", de Christian Ingo Lenz Dunker - Annablume Editora
2º Lugar: "O novo inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental", de Marcos Montarroyos Callegaro - Editora Artmed
3º Lugar: "Psicologia social: principais temas vertentes", de Cláudio Vaz Torres e Elaine Rabelo Neiva - Editora Artmed
Categoria: Reportagem
1º Lugar:
 "Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda", de Miriam Leitão - Editora Record
2º Lugar: "O cofre do Dr. Rui", de Tom Cardoso - Editora Civilização Brasileira
3º Lugar: "O espetáculo mais triste da Terra", de Mauro Ventura - Companhia das Letras
Categoria: Romance
1º Lugar:
 "Nihonjin", de Oscar Nakasato - Editora Saraiva
2º Lugar: "Naqueles morros, depois da chuva", de Edival Lourenço - Editora Hedra
3º Lugar: "O estranho no corredor", de Chico Lopes - Editora 34
Categoria: Tecnologia e Informática
1º Lugar:
 "Inteligência Artificial: Uma abordagem de aprendizado de máquina", de Kati Faceli, Ana Carolina, João Gama, Andre Carlos Ponce - Grupo Gen
2º Lugar: "Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia, Inovação e Legislação", de Alex Augusto Gonçalves - Editora Athene
3º Lugar: "Sistemas colaborativos", de Mariano Pimentel e Hugo Fuks (Orgs.) - Editora Elsevier
Categoria: Teoria / Crítica Literária
1º Lugar:
 "A Espanha de João Cabral e Murilo Mendes", de Ricardo Souza de Carvalho - Editora 34
2º Lugar: "Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936)", de Bruno Barretto Gomide - Edusp
3º Lugar: "Crítica Textualis in Caelum Revocata? Uma proposta de edição e estudo da tradição de Gregório de Matos e Guerra", de Marello Moreira - Edusp
Categoria: Turismo e Hotelaria
1º Lugar:
 "História do Turismo no Brasil entre os séculos XVI e XX", de Paulo de Assunção - Editora Manole
2º Lugar: "Destinos de sonho – 101 viagens inesquecíveis", de Elaine Ianicelli, Gabriela Aguerre, Rosana Zakabi, Adriana Setti, Cristina Capuano e Maila Blöss - Editora Abril
3º Lugar: "Lisboa em Pessoa – guia turístico e literário da capital portuguesa", de João Correia Filho - Editora Leya
Categoria: Projeto Gráfico
1º Lugar:
 "Linha do tempo do design gráfico no Brasil", de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra - Cosac & Naify
2º Lugar: "40 microcontos experimentais", de Airton Cattani - Editora Marca Visual
3º Lugar: "Aventuras de Alice no subterrâneo", de Adriana Peliano - Editora Scipione
Categoria: Tradução
1º Lugar: 
"Odisseia" - Tradutor: Trajano Vieira - Editora 34
2º Lugar: "Guerra e Paz" - Tradutor: Rubens Figueiredo - Cosac & Naify
3º Lugar: "Madame Bovary" - Tradutor: Mario Laranjeira - Companhia das Letras

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um fim de semana diferente: dias 20 e 19

1ª Parada LGBT de Maringá (fotos de Poliana Lisboa)
Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu nem contei que chegou o I-20 ainda na quinta-feira. E, depois de uma sexta turbulenta, sábado e domingo foram dias para curtir com a família.
No sábado, fui a minha última aula de inglês aqui no Brasil e, à tarde, no francês depois de algumas faltas seguidas. É muito estranho tentar comparar as duas línguas. O inglês com tempos verbais enxutos e sons bem parecidos com o sotaque do norte-paranaense, enquanto o francês tem tantas conjugações quanto o nosso português mas sons que parecem impossível para mim. E mesmo assim, palavras iguais, como fim de semana e licença (essa não dá para esquecer já que eu chego atrasada em toda aula e não dá para não pedir).
O motivo do atraso na aula de inglês de sábado foi nobre: fui no foto tirar uma fotografia 5 X 5 cm para o formulário DS-160 e para levar ao consulado dos EUA no dia 24. Cabelo para trás das orelhas e ombros, fundo branco, maquiagem para esconder a cara de sono. Aquela situação constrangedora e o fotógrafo me perguntou se eu não queria sorrir, já que para o visto eles permitem. Achei melhor não. Já cheguei a uma conclusão na minha vida - não foi difícil - de que foto de documento não é para ficar bonita e nem simpática. Não gosto de aparecer em foto. Quando sou obrigada, pior ainda. Então, nada mais normal do que sair com aquela cara de estou-assustada-mas-queria-muito-que-vocês-me-dessem-o-visto!
Como tinha até domingo para enviar o formulário com a foto, claro, deixei para finalizar no último dia e fui com meus pais dar uma volta na 40ª Expoingá. Conheço muita gente que não curte, muitas pessoas e tudo muito caro apesar da qualidade. Para mim, exposição é infância. Meu pai é agrônomo e saíamos de Umuarama ou Apucarana para Londrina ou Maringá quando era época. Vi dezenas de shows no ombro do meu pai no meio daquela muvuca, fiz ele e minha mãe perderem outros quando, depois de horas guardando o lugar, resolvia ir ao banheiro minutos antes dos shows e não conseguíamos voltar.
E sábado fomos na expo, comer cachorrão de 23 cm (duvido desta medida) e assistir um pouquinho do rodeio. Conseguimos ficar no palco, olhando os peões e os touros de cima em um dos poucos lugares que estava tranquilo para circular.
No domingo, enquanto a concentração para a Primeira Parada LGBT de Maringá começava na praça da prefeitura, eu estava sofrendo com o scanner de casa. Tenho um problema sério com impressoras. Apesar de saber que este é um problema generalizado, na hora acho que é pessoal. Desde a primeira impressora que tivemos, até no trabalho, elas só funcionam quando querem e é claro que a 3 em um aqui de casa não queria funcionar no domingo.


Tudo deu certo graças à disposição do meu pai que foi no escritório dele buscar uma impressora 3 em um que estava na caixa ainda e funcionou depois de dois sustos e quase ganhar um passeio até o térreo (saindo aqui do 15º andar). Assim que imprimi o formulário - último papel que faltava para a minha pasta de 500 gramas de documento - fomos para a rua acompanhar a parada.
Encontrei vários colegas de trabalho no meio da muvuca e tirei algumas (centenas de) fotografias...Achei incrível o número de famílias presentes e a alegria de todos. Voltei para casa com algumas músicas da Madonna e Lady Gaga na cabeça (por que será?) e não pude deixar de estranhar quando organizadores falaram da presença de 5 a 8 mil pessoas. Nas contas da família Lisboa, exagerando, éramos em 3,5 mil.

Curiosos...



O cachorro arco-íris  



sexta-feira, 18 de maio de 2012

A despedida: dia 21

Foto de Leo Castro
Na quarta-feira, quando um amigo e vizinho da ilha de trabalho mandou para mim uma crônica sobre a saída de outro colega do jornal, previ que minha despedida hoje não seria como eu desejava.
Depois de um ano e três meses naquela redação, onde aprendi muito e vivi as mais diversas experiências e os sentimentos mais extremos em relação ao trabalho, a ideia era sair como "ele", simplesmente bater o ponto como todos os dias, entrar no carro e, se o coração apertasse, lá deixar escorrer uma lágrima ou outra pensando nas pessoas que conheci e na vida de repórter que não sei se volto a ter...
Mas eu não sou uma pessoa contida. Sempre fui de falar alto, rir mais ainda e, apesar de não ter nem um pouco orgulho disso, não consigo controlar muito bem meus sentimentos.
Ainda tenho três semanas em Maringá e sempre voltarei para cá, mas talvez não reveja muitos colegas. Não vou me juntar ao pessoal no restaurante ou fazer comentários maldosos sobre a comida. Não vou mais abrir o jornal assim que chego, o que sempre resultava em satisfação ou frustração. Porque como todo jornalista também sou vaidosa e gosto de encontrar meu nome ali entre o título e a matéria.
Por isso e outras tantas coisas mais, foi muito difícil me despedir. Quando a turma da manhã começou a ir e passar pela minha mesa dar um abraço, aguentei firme. Depois, deu a minha hora de ir. Com a redação cheia novamente, mandei um correio interno para os colegas e não consegui mais esconder. Apesar de não ter um espelho sei muito bem quais foram minhas expressões e como a vermelhidão foi se espalhando pelo meu rosto. Olhos vermelhos, lágrimas, e vermelho ganhando espaço: nariz, bochechas, contorno da boca. Mais lágrimas.
"Reunião" fora da redação em dezembro de 2011: João, Vinícius e eu - Foto de Leo Castro
Não foi nem um pouco bonito e tenho só umas trinta testemunhas do meu choro com um soluço que eu tentava controlar ao chacoalhar as mãos (só por Deus porque faço isto). Assim como me despedi pela mensagem a eles, fico por aqui... Com a recomendação de leitura da crônica Porta Aberta de Wilame Prado.
Testes na redação em abril - Fotos de João Paulo Santos
E amanhã é dia de começar uma nova jornada. No meu futuro vejo uma ida para Curitiba com uma esticadinha até Nova Iorque, mas tudo é tão incerto ainda que nem me assusta mais. Afinal, ele não é incerto para todo mundo?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Escolhendo uma agência e uma escola: dia 23

Ainda procuro respostas práticas para o que sugeri no título... No meu caso, como estava interessada em fazer intercâmbio há muito tempo, posso falar em cerca de um ano, já tinha entrado em contato com algumas agências e pesquisado dezenas de escolas pela internet.
Como tinha problemas em definir um destino, focava nas escolas como a Kaplan, Els e outras grandes que tem unidades em quase todos os lugares. Algumas oferecem orçamentos nos seus sites, eu fiz vários. Quando conversei sério sobre o assunto com meus pais e eles me deram uma força dizendo em voz alta aquilo que eu estava pensando: "Se você não fizer isto agora, não fará mais", fiz uma lista de agências que tem sede aqui em Maringá (a maioria delas são redes, como CI, STB, Experimento,..) e resolvi ir à caça.
Fui em uma, mas não gostei muito do atendimento. E atendimento para mim é tudo. Ainda mais quando você está colocando nas mãos destas pessoas aquele dinheiro suado na expectativa de realizar um sonho (assim mesmo, cheio de expressões feitas porque é assim mesmo). Não me arrisco a contrariar minhas impressões.
Rua da escola pelo Google...no prédio da lateral esquerda
Na segunda agência, a da Student Traveld Bureau (STB), gostei bastante. As meninas que me atenderam apresentaram opções de escola e acomodação - no início estava vendo um alojamento estudantil ligado à escola - e achei a proposta da Rennert a mais interessante. O preço do curso de inglês regular, de 4 horas de aula por dia, era um pouco acima de outras escolas mais conhecidas, como a Kaplan, mas o curso preparatório para o Toefl ibt era o mesmo preço, enquanto nos outros lugares era mais caro.
A Rennert tem 39 anos e apenas duas unidades, a de Nova Iorque e a de Miami, e oferece também uns cursos de inglês integrado com artes, como dança, fotografia, moda. As turmas também tem no máximo 10 alunos, sendo que em outras escolas o número pode chegar a 15...Tudo isto me ajudou a decidir ao mesmo tempo a escola e a agência. Mas continuarei avaliando o desempenho de ambas até o meu retorno, em 23 de agosto.
Localização em NY: detalhe que a estação de metrô mais próxima da Rennert é a Grand Central Terminal,
de 1913, que é um ponto turístico à parte...passar lá todos os dias no caminho da escola
deve ser, no mínimo, compensador!
Sobre o curso que escolhi, o preparatório. Aqui no Brasil, depois de 3 anos e meio fazendo inglês no Fisk de Londrina durante a faculdade, parei após a formatura. Só quando voltei para Maringá e comecei a trabalhar retomei os estudos, também no Fisk, no preparatório para o exame de proficiência em inglês acadêmico: o Toefl ibt. Requisito para graduações, pós-graduações no exterior e até aqui no Brasil - para comprovar a língua estrangeira - e, claro, ótimo para o currículo.
Já estou no fim do segundo e último semestre do curso, mas como o exame tem as áreas de reading (leitura), writting (escrita), listening (compreensão oral) e speaking (fala) e eu me enrolo toda, principalmente na última, espero que a estadia lá me ajude a desenvolver aquilo que em quase 5 anos de estudos não consegui aqui. O teste expira em dois anos, mas antes disso tenho em mente fazer outros exames de proficiência permanentes, como os de Cambridge. Pausa. Uma coisa de cada vez.
Caso chegue na escola e resolva optar pelo curso geral de inglês, ainda tenho a opção de pagar US$ 40 (não tenho certeza do valor) e fazer a mudança. Bem razoável.


* Dica sobre a agência: a STB hospeda blogs de intercambistas (que façam o programa por eles), os "embaixadores" que estão em vários lugares do mundo. Para quem quer descobrir mais sobre viagens de estudo, au pair, entre outros, vale acompanhar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ah, os vínculos: dia 28

Recebi a confirmação de que hoje a escola mandou o meu I-20, aquele documento que preciso levar no consulado para provar que eu vou só estudar lá em Nova Iorque. Só não estou conseguindo fazer o formulário e pagar a taxa Sevis, mas não estou tão desesperada assim, tento no início da semana que vem.
Falando em questões burocráticas, ontem, aniversário de Maringá, fui num escritório que presta consultoria para tirar o visto. Fui para sanar dúvidas e saí com pares delas. A mais intrigante, inclusive com a voz da pessoa que me atendeu, ficou martelando na minha cabeça: "Quais são os seus vínculos com o Brasil?" 
O consulado pede alguns documentos que provem que você não está indo lá para morar, garantias que vai voltar para o seu país. Matrículas, certidões, escrituras de imóveis, documentos de carro. E meu maior vínculo sou eu mesma. Eu nasci aqui no Brasil, aqui no Paraná e aqui morei por toda minha vida. Tenho uma família, amigos, todos esperando que eu volte. E esta não é a melhor parte da partida? Saber que você tem para onde voltar, que tem uma cama na casa dos teus pais e um amor com o qual você planeja passar o resto dos seus anos.
Aqui no Brasil, a minha casa pelos últimos 11 anos tem sido Maringá. Nasci em Umuarama e morei em várias cidades: Apucarana, Santo Antônio da Platina, Cornélio Procópio. Depois que minha família se estabeleceu aqui, em 2001, ainda fui para Londrina (onde fiz faculdade) e Curitiba (trabalhei por três meses lá), mas continuei considerando aqui a minha cidade.

Demorei para gostar de Maringá, não foi uma paixão à primeira vista. Aprendi com muita paciência e o sentimento que me ligou à cidade foi o amor. Aquele amor sem sobressaltos que faz você respeitar o outro e, acima de tudo, desejar o melhor a ele.
Ontem, ao completar 65 anos, ao acompanhar dezenas de homenagens à cidade, ficava nostálgica ao pensar que, ao voltar dos Estados Unidos, devo recomeçar em Curitiba. Mas Maringá, os amigos que fiz aqui e meus pais estarão a alguns quilômetros de distância e não hesitarei em voltar para estes braços quando a saudade apertar. 
Como um documento vale mais do que isto? Sei que estou sendo insensata, por isto já preparei a minha pasta com declarações, que representam formalmente o que sou, para encarar esta etapa. 





*para ilustrar este post, fotografias minhas da Capela São Bonifácio, a mais antiga de Maringá, localizada no Cidade Alta e construída antes da cidade se emancipar. Só conheci o local este ano, uma vergonha para uma maringaense, por isto recomendo a todos que ainda não conhecem que separem umas horas de um fim de semana para gastar lá. Também vou indicar algumas reportagens sobre a capela publicadas em O Diário (aqui, aqui e aqui) e um vídeo do  blog Maringá Histórica.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Detalhes simples que são os mais importantes

Não, este não é um post diretamente ligado à viagem...Ainda estou esperando um tal de programa na internet que transcreve as gravações (se alguém da turma 54 de jornalismo da UEL ler isto deve entender na hora!), mas enquanto isto não vem tento recuperar um post que estava escrevendo na minha cabeça cinco minutos atrás enquanto estava no elevador esfregando o meu joelho para não doer após uma caminhada.
Hoje fiquei entretida no trabalho e simplesmente me esqueci que tinha prova de francês. Já tinha estudado, ainda mais depois de ter ido muito mal na outra prova do curso (faço dois semestres em um), mesmo assim saí do jornal, peguei o carro e vim para casa. Quando cheguei, morta de fome fui atacar o armário da cozinha e, na hora de tirar o tênis veio o estalo: "a prova!"
Detalhe, a aula já tinha começado quando saí de casa, precisei tirar o carro da garagem dando a vez para outros dois que estavam entrando e enfrentei o trânsito das seis, mas beleza. Só sei que fui reclamando com meus botões e reclamando também porque eu sou uma pessoa chata que não para de reclamar. Consigo até reclamar da minha reclamação, aposto que não é coisa que qualquer um consegue.
Depois pensei que só uma pessoa muito sem noção poderia reclamar tanto, afinal, depois de muito tempo minha vida está entrando nos eixos que eu sempre quis (mesmo sem saber exatamente o que eu queria) e não há necessidade de tanto nervosismo...
Aproveitei que não fui tão mal assim nesta segunda prova e fui caminhar, curtindo aquela temperatura amena ao redor do Bosque II. Dez minutos de caminhada e meu espírito reclamão voltou. Comecei a contar quantos magros e quantos gordinhos (não gosto de usar gordinho, mas também não dá para usar gordos, porque não havia nenhuma pessoa extremamente acima do peso lá). Para vocês saberem, parei quando a conta deu 10 no primeiro time e 5 no outro.
Quando já estava quase sem fôlego e vi que o tempo não passava resolvi matar uns minutos na Academia da Terceira Idade (ATI) - aquilo cansa, tá?
E como são belas as crianças que falam outra língua...lá na ATI conheci uma bela de cinco anos brincando nos aparelhos e hablando castellano..."Ela não quer ir embora", disse a avó, "ela está encantada com Maringá. Acorda cedo para ver o sol e à noite fica olhando para a lua. Ela veio do Equador e há meses que lá só chove, então o tempo daqui é uma novidade que ela quer aproveitar"...
Mais uma imagem de ontem à noite. A bela deve ter apreciado a lua ontem. Hoje eu sei que ela, com seus 5 anos, apreciou
Fiquei tão encantada com a belinha e com sua natureza que tive vergonha e prometi tentar aproveitar ao máximo todos os sóis e luas que eu ver daqui para frente. E, claro, guardar ao menos uma situação simples e essencial como esta para contar nos posts que vierem.

domingo, 6 de maio de 2012

Documentos e mais documentos

Estou totalmente perdida em meio a tantos documentos e questões burocráticas que preciso resolver antes de viajar. Embarco em pouco mais de um mês e o que tem tirado meu sono é o visto para os Estados Unidos. Em 2007 tirei o visto de turista, que vence neste ano, mas como estou indo para estudar, preciso ter um novo. Resolvi fazer tudo sozinha e não contratar despachante. Na semana passada houve mudanças no sistema e falam que ficou mais fácil. Vou testar!
Mas o tenso é que para a entrevista preciso ter o I-20, um documento de uma via da escola em que consta que eu estou matriculada e indo realmente para estudar. Este documento demora de 20 a 30 dias para chegar e preciso ter ele para me inscrever e pagar uma outra taxa, a Sevis. O meu I-20 precisa chegar na semana do dia 20, porque a minha entrevista no consulado é dia 24 de maio e no dia anterior vou no Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (CASV), ambos em São Paulo (SP).
Achei que minha confusão com o passaporte ia complicar a entrevista para o visto, mas não teve muito problema. Para o F-1 não tem fila.
Sobre o passaporte...eu simplesmente me esqueci que ele é um documento com validade. Quando a atendente da agência me pediu uma cópia para a escola, eu escaneei e na tela do computador que fui perceber: meu passaporte vencia em julho...Como para viajar e solicitar o visto eles pedem uma validade mínima de seis meses, já entrei no site da Polícia Federal solicitar o meu..e consegui marcar o meu na outra semana. Paguei a taxa, fui lá dar entrada e esperei 5 dias. Agora já estou com ele na mão e como a agência tinha mandado os documentos para a escola, não atrapalhou...
Sorte que em Maringá o passaporte não está demorando. Fomos agendar para o namorado tirar o dele lá em Curitiba no feriado da Páscoa e só conseguimos horário em junho. Escrevi este post só para situar os leitores, já que daqui umas duas semanas vou escrever contando como foram as coisas no consulado e se consegui meu visto. Afinal, com curso, hospedagem e passagem certos, é o que falta para eu começar a fazer as malas!
Para deixar o post um pouco mais leve, umas fotografias deste domingo (6 de maio) nesta cidade linda que é Maringá...Vou sentir saudades...

Na Festa das Canções
O "dia" da lua foi no sábado, mas só consegui uma imagem boa depois do anoitecer de domingo